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C++ Idioms: SFINAE

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Introdução

Nesse post falarei sobre uma técnica (ou recurso) utilizada em  C++ que estou utilizando muito no meu projeto[0][1] na Boost Libraries[2] no GSoC, essa técnica é o SFINAE.

SFINAE[3] é uma sigla para “Substitution failure is not an error” que em uma tradução livre quer dizer “Falha na substituição não é um erro”. Segundo[3]:

SFINAE se refere a uma situação em C++ que uma substituição inválida de templates não é um erro.

Especificamente, na criação de um conjunto candidato para a resolução de sobrecarga, alguns (talvez todos) os candidatos deste conjunto pode ser resultante da substituição de argumentos templates deduzidos para os parâmetros de template. Se um erro ocorre durante a substituição, o compilador remove essa potencial sobrecarga do conjunto candidato ao invés de parar com um erro de compilação. Se restam um ou mais candidatos (i.é: pelo menos uma sobrecarga é válida), a resolução é feita e a invocação é bem formada.

Como funciona

Para entender melhor vejamos esse trecho de código:

template <typename T>
struct A
{
	typedef T type;
	T value;
};

template <>
struct A<bool>
{
};

template<typename T>
typename A<T>::type func(const A<T>& param)
{
	std::cout << param.value << std::endl;
}

Esse código compila sem warnings. A função template func() é sobrecarregada e retorna o tipo T. Mas você deve estar se perguntando, o que acontece quando T = bool? Esse é justo o ponto do SFINAE!
Para T = bool, typename A::type seria uma declaração inválida já que A não contém o tipo type declarado, porém, com SFINAE, essa sobrecarga é simplesmente descartada e para qualquer outro T que não bool, func(A) é uma chamada legal porque sua sobrecarga é gerada.

Aplicações

Como eu disse no começo deste post eu estou utilizando bastante SFINAE no meu projeto do Google Summer of Code com uma utilidade chamada enable_if[4] encontrado na Boost.

Enable_if é uma classe (ou struct) que “ativa” a declaração de algo (classe, função, etc) se uma condição for satisfeita por meio do SFINAE. Vou mostrar aqui uma maneira de fazer um enable_if like, e quem quiser saber mais sobre o enable_if da Boost é encorajado a ler[4][5].

Vamos ao código:

/* Cond é a condição de ativação
 * Type é o tipo que será declarado pelo membro type.
 */
template <bool Cond, typename Type = void>
struct enable_if_c
{
	typedef Type type;
};

/*
 * Especialização, quando Cond for false,
 * 	esse template vazio é invocado.
 */
template <typename Type>
struct enable_if_c<false, Type>
{
	// empty
};

Ou seja, sempre quando Cond for true, existirá um membro type declarado em enable_if_c, quando Cond for false o membro type não existirá.

Um exemplo de uso:

/*
 * Nossa função pega o bit mais significativo de value e retorna um bool.
 * 	***Note que nesse exemplo estamos assumindo que T é um tipo inteiro.***
 */

/*
 * Para retornar o bit mais significativo de um T com 4bytes (32 bits),
 * 	deslocamos 31 bits para a direita e fazemos um & com 1.
 */
template <typename T>
typename enable_if_c<sizeof(T) == 4, bool>::type msb(T value)
{
	std::cout << "Value have 4 bytes.\n";
	return (value >> 31) & T(1);
}

/*
 * Porém se T é um tipo de 1byte (8 bits) o deslocamento deve ser de
 * 	7 bits para pegarmos o bit mais significativo.
 */
template <typename T>
typename enable_if_c<sizeof(T) == 1, bool>::type msb(T value)
{
	std::cout << "Value have 1 byte.\n";
	return (value >> 7) & T(1);
}

Ou seja, a função de cima, é sobrecarregada para todos os tipos que tenham 32 bits (sizeof(T) == 4) e a de baixo é sobrecarregada para todos os tipos que tenham 8 bits (sizeof(T) == 1). Assim, no processo de resolução de sobrecarga, os outros tipos que não tem nem 8 nem 32 bits, são descartadas pois cairá na especialização enable_if_c que não possui um membro type (usado como retorno da função msb), comportamento citado anteriormente.

Para testar:

int main()
{
	int a = -3;
	unsigned b = 190000;
	char c = 129;
	uint16_t d = 10;
	uint64_t e = 10000000;
	
	std::cout << "Retorno int: " << msb(a) << std::endl;
	std::cout << "Retorno unsigned: " << msb(b) << std::endl;
	std::cout << "Retorno char: " << msb(c) << std::endl;
}

Se tentarmos executar com uma condição que não é true, teremos um erro em tempo de compilação, como podemos ver abaixo:

...
uint16_t d = 10;
uint64_t e = 10000000;

std::cout << "Ret: uint16_t: " << msb(d) << std::endl
std::cout << "Ret: uint64_t: " << msb(e) << std::endl;
...

/*
/Users/murilo/Documents/programming/blog/sfinae.cpp: In function ‘int main()’: /Users/murilo/Documents/programming/blog/sfinae.cpp:61: error: no matching function for call to ‘msb(uint16_t&)’ 
/Users/murilo/Documents/programming/blog/sfinae.cpp:62: error: no matching function for call to ‘msb(uint64_t&)’
*/

Alguns outros exemplos usando o enable_if da Boost você pode encontrar no meu projeto[1] na Boost onde utilizo enable_if aos montes.

Nesse post exemplifiquei SFINAE com funções, mas também é aplicável para classes. Um exemplo você pode ver aqui [6].

Até a próxima!

Referências

[0] – Estou no Google Summer of Code 2010 – http://murilo.wordpress.com/2010/05/03/estou-no-google-summer-of-code-2010
[1] – Source of Bits and Ints project – https://svn.boost.org/trac/boost/browser/sandbox/SOC/2010/bits_and_ints/boost/integer
[2] – Boost C++ Libraries – http://www.boost.org/
[3] – Artigo “Substitution failure is not an error” na Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/Substitution_failure_is_not_an_error
[4] – Boost enable_if – http://www.boost.org/doc/libs/1_43_0/libs/utility/enable_if.html
[5] – enable_if.hpp – http://www.boost.org/doc/libs/1_35_0/boost/utility/enable_if.hpp
[6] – static_sign_extend.hpp at Boost Trac – https://svn.boost.org/trac/boost/browser/sandbox/SOC/2010/bits_and_ints/boost/integer/static_sign_extend.hpp

Escrito por Murilo Adriano

sábado 19 \19\UTC junho \19\UTC 2010 em 17:02

Publicado em Boost, C/C++, Programação

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Como programar em C Orientado a Objetos

com 14 comentários

Olá, hoje eu vou dar um tempo na série “Coisas simples de se fazer em C++ que alguns ainda complicam” e irei falar sobre uma experiência minha tentando alguma maneira de programar em C orientado a objetos.

Sei que muitos vão pensar “pra quê isso?” ou dizer que é péssimo fazer isso ou coisa parecida, mas o intuito desse post é outro: é mostrar o que é possível fazer ou até mesmo enxergar alguma utilidade nisso. Nesse blog, procuro colocar coisas diferentes, curiosidades sobre programação e linguagens, porque acho que conteúdo “normal” já existem em muitos lugares na grande rede.

O que me instigou a fazer isso foi um post no CODARE “C: Escondendo o conteúdo de structs com tipos incompletos” de autoria do Thiago Santos, no qual ele cita sobre usar com orientação a objetos em C.

Li, achei interessante e quis, vamos dizer assim, dar um cara mais parecida de orientação a objetos ao que ele fez.

O primeiro passo foi pensar em como funcionam os famosos objetos.
Uma classe em uma linguagem orientada a objetos geralmente tem 2 tipos de elementos:

  • Elementos de classe: elementos (funções e variáveis estáticas) que só são criados uma vez, todos os objetos da classe tem acesso ao mesmo elemento.
  • Elementos de instância (ou objeto): elementos (atributos) que são criadas para cada objeto instanciado.

Ou seja:

class Animal
{
        int age;
        std::string specie;
        static int count;
public:
        int birthday();
};

No exemplo acima, age e specie são elementos de instância, ou seja, cada objeto têm o seus próprios. Já count e birthday() são de classe, pois todos os objetos dessa classe utilizarão o mesmo. O que ocorre no caso de funções é que na chamada da função, um ponteiro do objeto chamador é passado para a função. Isso faz com que não precise a cada instância de objeto criar uma nova função já que elas fazem a mesma coisa.

Algo como:

Animal animal, animal2;

//lembrando que é APENAS uma ilustração do que acontece
//não é assim que é realmente implementado mas é a mesma idéia
//uma função só para todos os objetos de uma classe

animal.birthday(); //vtable::animal::birthday(&animal);
animal2.birthday(); //vtable::animal::birthday(&animal2);

A função birthday() é a mesma para as duas chamadas, o que muda é o ponteiro para os dados de cada objeto.

A minha implementação seguiu a idéia do Thiago Santos: uma classe person que tem os atributos name e age funções para instanciar, imprimir o nome e idade e deletar o objeto.

Vamos então dar uma olhada no nosso headerperson.h:

#ifndef PERSON_H__
#define PERSON_H__

//Incomplete type declaration
typedef struct person_private person_private;

typedef struct person {
	//"private" data.
	person_private* data;

	//"class" functions
	void (*free)();
	void (*print)();
} person;

//instatiate a new person
person* new_person(const char*, int);

//pointer to the actual person in the context
person* __actual_person;

//sets the actual person
person* _(person* obj);

#endif

Nosso header contém a declaração incompleta de person_private leia aqui para saber o porquê, a definição da nossa “classe” person, as declarações das funções new_person() e _() e um ponteiro __actual_person.

Nossa “classe” person contém um ponteiro data para os dados que não poderão ser acessíveis através do objeto (name, age) além de ponteiros para funções (que serão nossos “métodos”).

A função new_person simplesmente instancia um objeto do tipo person.

O ponteiro __actual_person irá funcionar como o ponteiro passado para as funções de classe. Através do ponteiro saberemos qual objeto chamou a função.

A função _() seta o ponteiro __actual_person para que as funções sejam corretamente chamadas. Nota: não é thread safe. (hehehe)

Vamos ao nosso person.c:

#include "person.h"
#include <stdlib.h>
#include <stdio.h>
#include <string.h>

//private data... visible only by the functions below
struct person_private
{
	char* name;
	int age;
};

//a "manual destructor"
void free_person()
{
	free(__actual_person->data->name);
	free(__actual_person->data);
	free(__actual_person);
       
        puts("Person sucessfuly freed!\nBye");
}

//prints 
void print_person()
{
	printf("%s -: %d\n", __actual_person->data->name,
		 __actual_person->data->age);
}

person* new_person(const char* name, int age)
{

	//Allocate the object	
	person* new = (person*)malloc(sizeof(person));
	new->data = (person_private*)malloc(sizeof(person_private));
	
	//Initialize the data
	new->data->name = (char*)malloc(strlen(name) * sizeof(char) + 1);
	strcpy(new->data->name, name);

	new->data->age = age;

	//Set the functions pointers
	new->print = print_person;
	new->free = free_person;
	
	return new;
}

//must call the objects with this function
person* _(person* obj)
{
	__actual_person = obj;
	return obj;
}

O que temos aí é a função _() que seta o objeto atual (__actual_person) para que possa ser utilizado a função com o objeto certo, a função new_person que funciona como nosso construtor, as outras duas funções que são os “métodos da classe” print e free e a definição da estrutura person_private que contém os atributos da classe.
Os comentários ajudam no resto :) .

Vamos então ver o main.c que é o nosso teste:

#include <stdio.h>
#include "person.h"

int main()
{
	//Instantiates 2 persons
	person* person1 = new_person("Murilo", 21);
	person* person2 = new_person("Rovane", 47);
	
	//print
	_(person1)->print();
	_(person2)->print();
	
	//free
	_(person1)->free();
	_(person2)->free();
}

Eis o resultado:

murilo@blacksheep:~/programacao/cobject$ gcc main.c person.c
murilo@blacksheep:~/programacao/cobject$ ./a.out
Murilo -: 21
Rovane -: 47
Person sucessfuly freed!
Bye
Person sucessfuly freed!
Bye

Nota: deve-se usar sempre a função _() para utilizar o objeto.

Fiquei pensando se tem como fazer uma espécie de gerador de classes nesse formato no próprio C (com macros por exemplo). Vou procurar saber se existe algo a respeito, são 04h40min da mardugada não estou mais com boas idéias.

Qualquer sugestão, bug, idéia, reclamação, estamos aí!

Escrito por Murilo Adriano

quarta-feira 5 \05\UTC agosto \05\UTC 2009 em 04:50

Publicado em C/C++, Programação

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Sobrecarga do operator++ para enums

com um comentário

Mais uma trick com enums.

A sobrecarga de operadores podem facilitar o manuseio de enums. Abaixo está um exemplo de como pode ser útil a sobrecarga do operator++.

#include <iostream>

using std::cout;
using std::endl;

enum Semana
{
        DOM,
        SEG,
        TER,
        QUA,
        QUI,
        SEX,
        SAB
};

Semana& operator++(Semana& dia) //pré-incremento
{
        return dia = static_cast<Semana>((dia + 1) % 7);
}

Semana& operator++(Semana& dia, int) //pós-incremento
{
        return dia = static_cast<Semana>((dia + 1) % 7);
}

int main()
{
        Semana dia = SEX;
        cout << dia << endl; // SEX (5)
        cout << ++dia << endl; // SAB (6)
        cout << ++dia << endl; // DOM (0)
        dia++; // SEG (1)
        cout << dia << endl;
}

Quando chegamos no último dia da semana (SAB) e chamamos o operator++, obtemos o primeiro dia da semana graças ao operador módulo (%).

Referência.

Escrito por Murilo Adriano

sábado 25 \25\UTC julho \25\UTC 2009 em 00:35

Publicado em C/C++, Programação

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